Estava em São Paulo há
alguns dias, após uma manhã agitada acabei perdendo a hora do almoço e parei
para comer numa cantina próxima ao hotel em que estava hospedada com minha mãe.
Enquanto eu falava sem parar sobre o passeio, minha mãe ouvia atentamente a conversa
de dois “cavalheiros” na mesa ao lado.
Falavam sobre uma
grande oportunidade que se apresentava com a falência do Estado e Cidade do Rio
de Janeiro, um acordo com a prefeitura para que empresários (como eles) se
oferecessem para pagar IPTUs inadimplentes em nome dos proprietários com
pagamentos em atraso, e realizassem à cobrança aos donos dos imóveis, na
expectativa de que estes não pudessem pagar-lhes de volta para então seus
imóveis pudessem ser apreendidos.
Ouvimos falar
constantemente que vivemos uma crise política e econômica e que crise é
sinônimo de oportunidade para quem tem olhar visionário e empreendedor. E estes
conceitos são verdadeiros, mas o que não está às claras mas deve emergir é a
ética, ela irá diferenciar oportunidades de oportunismos.
Enquanto oportunidade
fala sobre possibilidades que se apresentam em determinado momento que se
aproveitadas trazem consigo a semente da criatividade e da inovação. Ter o
olhar visionário e perceber as janelas de oportunidade, planejar as ações e
prever seus efeitos, saber quando e como utilizar um momento para fazer
um bom negócio, criar um produto inovador que gere um valor agregado e que seja
durável é um desafio, isso é empreender. Empreender em momentos de
“crise” é criar novos caminhos, sair do conformismo e encarar a
vulnerabilidade.
Por outro lado,
oportunismo nos remete a vantagens pessoais. O dicionário Aurélio
descreve “oportunismo” como “tendência ou aptidão para aproveitar as
oportunidades ou as circunstâncias, normalmente sem preocupações éticas”. O
oportunismo é caracterizado por ações de ganho imediato que não propõem
soluções criativas, que se mantém a partir de antigos hábitos e padrões.
Vemos um desvendar de
máscaras no cenário político atual vexaminoso, são propinas, delações
premiadas, mau uso do dinheiro público, votações de reformas políticas que
legitimam o status quo, me pergunto como podemos romper com este Laissez-faire
as avessas. Que exemplo as figuras publicas dão aos empresários e população em
geral sobre ética, compaixão? Como romper com o modus operandi das relações
comerciais e das vantagens pessoais? Como promover oportunidades e impedir os
oportunistas?
Vivemos sob a presença de
crenças limitantes e sob o julgo de nossos próprios preconceitos, mas toda a
possibilidade e sorte encontram-se em nossas mãos, em nosso poder de auto
responsabilizarmo-nos pelas nossas ações, pensamentos e emoções. Hábitos
negativos e perniciosos existem e podem ser substituídos por novos padrões
cerebrais e comportamentais, podemos recriar nossa história e fazer diferente.
É preciso ter coragem
para enfrentar o que está além daquilo que se conhece, e enveredar pelo
desconhecido, este estímulo pode vir de fora ou de dentro de nós mesmos. A
escolha é de cada um de nós. Eu já fiz a minha. Qual a sua escolha?
