Cada vez mais
a impessoalidade dos processos seletivos retira o componente humano da equação.
Porém é exatamente a pessoa humana com sua experiência e expertise que
está sendo avaliada e contratada. Então, como é possível?
Cada vez mais
populares são os sites de anuncio de vagas e cadastros de currículo e cada vez
mais as melhores posições são preenchidas através de indicações e muitas vezes
sequer chegam a ser anunciadas.
Se por um
lado os sites promovem agilidade nos processos e democratizam o acesso às
oportunidades de emprego. Por outro, em tempo de escassez de vagas, tornam
praticamente impossível aos recrutadores olharem todas as inscrições
realizadas, sem falar que o cadastro de informações padronizado retira o
caráter pessoal, humano e único de cada candidato colocando todos num rol de
atributos e funções iguais a centenas de outros. A concorrência é desleal.
Perdas
e ganhos para cada um dos lados. O que a tecnologia nos fornece de
recurso, ela nos retira de conexões.
Um amigo
comentou comigo sobre uma história que ouviu sobre uma pessoa da área Comercial
que nunca participou de um processo de seleção. Já havia passado por diversas
empresas ao longo da vida, sempre escolhendo os lugares onde gostaria de
trabalhar e nunca enviando currículos.
Como?
Simples. Após selecionar as empresas com as quais simpatizava, ia até a
recepção e puxava papo com as recepcionistas, perguntava se sabiam de algum
processo que estivesse acontecendo naquele momento ou se poderiam apresentá-lo
ao responsável no RH. Sempre munido de um bombom e seu cartão de apresentação.
Estas visitas eram corriqueiras, até fazer “amizade” com as moças, sempre com
simpatia e carisma. Algumas vezes elas ligavam para avisá-lo sobre
oportunidades, e assim ele foi de empresa em empresa, escolhendo as melhores
vagas.
Achei a
história incrível, porque é exatamente o que este sistema virtual impede a
conexão entre as pessoas, abusa do desespero de muitos por saber que seus dados
sequer poderão ser vistos e estimula cadastros aleatórios e impensados. A
estratégia acima é um ganha-ganha, empresa e funcionário saem satisfeitos,
estabelece-se empatia, humanidade, e gera oportunidade de se explorar o melhor
de cada uma das partes.
O desafio do
mundo atual é fazer com que as ferramentas tecnológicas postas a nosso dispor
possam de fato agregar valor aos processos de seleção e não somente queimar
etapas. De que adianta ter em mão centenas de inscrições que jamais serão lidas
ou ainda selecionar 10 candidatos com as mesmas descrições?
Há duas
perguntas a serem feitas: O que sua empresa busca em um pretenso candidato?
Qual seu diferencial que você pode explorar enquanto candidato?