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Priorizando demandas com empatia - estudo de caso





“Como você faria para gerenciar a priorização de demandas vindas de diversas áreas de uma empresa para uma mesma ilha de desenvolvimento?”
Quando ouvi esta pergunta pela primeira vez há mais de 10 anos eu tinha uma resposta fácil na ponta da língua, que me remeteu a planilhas, matrizes e pontuações eficientes que escalavam as necessidades conforme o grau de importância, urgência para a área demandante. Uma típica gestão de portfólio.
Na primeira reunião com os solicitantes, caí do cavalo.
A área A entendia que trazia para empresa novos clientes e receitas e por isso deveria ser atendida primeiro, e a área B fazia a manutenção dos clientes já na carteira e precisava assegurar maior agilidade nos processos internos, sob risco de perda de clientes, a área C realizava os pagamentos de comissões aos correspondentes que prospectavam na rua e deveria então ser priorizados.
De uma lado, cada um tinha argumentos válidos e necessidades reais e urgentes para que fossem atendidos de forma imediata. De outro lado, a ilha de desenvolvimento possuía recursos humanos e financeiros limitados para expansão ou paralelismos de atividades. E no meio, um modelo de priorização que desagradava a todos.
O que fazer? Não conseguia compreender como cada área colocava sua necessidade acima das outras se estávamos todos jogando no mesmo time. Ou será que não?
Esse foi um dos meus primeiros desafios em relação à engajar meu time em fazer algo diferente do que estavam acostumados a fazer, o famoso “pensar fora da caixa”, também minha primeira experiência com “ouvir o cliente”.
O trabalho realizado envolveu algumas etapas: 

1. Trazer para as reuniões de priorização representantes de cada área, que tivessem autonomia para tomarem decisão acerca da ordem, priorização e andamento das demandas. 
2. Revisar a lista de demandas dividindo em desejos e necessidades. Quando cheguei na área havia demandas antigas sistemas legados que eram utilizados apenas esporadicamente. 
3.Reduzir o numero de novas solicitações  feitas por reunião. Era necessário que os solicitantes vissem suas demandas sendo entregues antes de realizar novas solicitações. 
4. Debater os itens solicitados entre todas as áreas. Este ponto foi de extrema importância, pois descobriu-se que demandas diferentes tratavam da mesma plataforma ou mesmo buscavam o mesmo tipo de solução, permitindo reduzir e otimizar o esforço da equipe de desenvolvimento. 
5. Trazer um representante do desenvolvimento. Este foi um ponto crucial para auxiliar tanto no entendimento técnico e viabilidade, quanto para levar a voz do cliente para os analistas.

Um novo mindset deve ser praticado pelos dois lados: solicitante e desenvolvedores. Foi através do processo de ver a necessidade pelo olhar do outro, de fazer as áreas empatizarem umas com as outras que as reuniões de priorização se tornaram experiências frutíferas, divertidas e de engajamento.
Após os meses iniciais em que alguns incrédulos temiam por não ver suas necessidades satisfeitas, a primeira release trouxe um sentimento de confiança ao grupo e estimulo para que outras ações para modernização do modelo de gestão pudessem ser pensadas.
Uma das áreas ficou tão empolgada que definiu um recurso próprio para trabalhar em pareceria com a minha equipe para definir as demandas. Isso reduziu visivelmente as solicitações redundantes e que poderiam ser remediadas, abrindo espaços para iniciativas que passamos a chamar de Projetos Especiais (projetos destinados ao incremento das atividades fim da empresa e inovação de produtos e tecnologia).
Não existe uma técnica que seja melhor que outra ou um modelo de gestão de demanda mais eficaz, existem pessoas com necessidades especificas, modelos de negócio complexos, empresas tradicionais ou flexíveis, enfim, todo um conjunto de variáveis que torna a gestão bem ou mal sucedida. O mais importante é ter a capacidade de ouvir e perceber o que está por trás das palavras, o que não é dito, o que cada pessoa sente, pensa e necessita.
O engajamento para um novo modelo de pensamento está no estabelecimento de elo de confiança, no comprometimento mútuo. Trata-se de pensar no coletivo sem deixar de considerar as especificidades de cada área e pessoa envolvidas.
"Se quer ir rápido, vá sozinho. Se quer ir longe, vá em grupo."













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